sábado, 21 de novembro de 2009

FLAVIA NA REVISTA ÉPOCA DESTE SÁBADO.


Odele e Flavia - "SAUDADES DE SUA VOZ"

A Revista Época deste sábado, traz uma reportagem comigo e Flavia. A matéria é da repórter Eliane Brum e as fotos, de Marcelo Min.
"Quando Odele sonha com a filha, Flavia tem 10 anos. A menina de cabelos longos, encaracolados nas pontas, fala sem pausas. Gosta de partilhar seu dia, contar as aventuras na escola, tagarelar sobre o futuro precocemente dividido entre uma carreira de administradora e outra de modelo. Abraça e beija muito. Dança, canta e toca teclado. Sua voz povoa o sono da mãe. Quando Odele acorda, porém, o silêncio continua lá.
Deitada na cama do quarto ao lado, Flavia tem os olhos abertos. Não pode mais falar e, embora possa ver, Odele não sabe se vê. A menina calou-se aos 10 anos, quando seu cabelo foi sugado pelo ralo da piscina do edifício onde vivia, em São Paulo. Em dezembro, no mesmo dia do aniversário da mãe, fará 22. Há quase 12 anos, Odele só ouve a voz da filha em sonhos. Agora é a mãe que parece se afogar ao despertar submersa na ausência da filha. “Ela tinha voz de sino”, diz. É dessa voz de sino que Odele sente mais saudade.
Assim se inicia cada dia. E cada dia em que Flavia não acorda é uma perda para Odele. Quem vai imaginar que a voz da filha, que às vezes perturba com sua premência, será um dia a maior saudade da mãe? Que aquelas histórias de criança, contadas quando falta tempo à mãe, seriam pagas com metade de uma vida ou uma vida inteira, se a mãe soubesse que poderia perdê-las?
É uma existência de subtrações e de delicadezas, a dessas duas mulheres. Só faz sentido porque Odele conseguiu fazer da história de dor também uma narrativa de amor.
.... Meses depois, Odele começou a buscar as causas no fundo da piscina. Dividia seu dia entre os cuidados com a filha no hospital e..."

A matéria completa pode ser lida neste link da Revista Época: SAUDADES DE SUA VOZ.
O meu muito obrigada à repórter Eliane Brum pela realização desta reportagem. Obrigada também ao fotógrafo Marcelo Min.
Agradeço também ao editor do site da Revista Época e ao pessoal do Globo.com pela abertura desta matéria no site. Desta forma, nossos leitores de Portugal, de outros países e de localidades onde a Revista não chega, podem ler a matéria completa on line.

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

PISCINA SEGURA = NO MÍNIMO, DOIS DRENOS DE FUNDO.


Piscina do Centro de Treinamento da Sodramar – Diadema – São Paulo
Nesta segunda-feira, dia 16, estive visitando a empresa Sodramar, fabricante de piscinas e produtos afins, em Diadema, São Paulo e tive autorização para fotografar o Centro de Treinamento que a empresa mantém para lojistas e funcionários. Fiquei muito bem impressionada com os cuidados que a Sodramar mantém com a segurança de seus produtos. Seria impossível colocar tudo o que vi em um único texto, portanto, aos poucos, e alternadamente com outros posts, irei me utilizando aqui do material que fotografei.
Reparem que nesta piscina, além dos drenos laterais, há DOIS drenos (ralos) de fundo. É assim que deve ser. Uma piscina deve ter no mínimo DOIS drenos de fundo para que a força de sucção seja bem distribuída e não cause acidentes, como eventualmente, sugar cabelos e partes do corpo humano, como temos - com certa freqüência - visto acontecer. No entanto, o que se percebe é que muitas piscinas possuem apenas um dreno de fundo, como no caso da piscina onde Flavia sofreu o acidente. E se esse dreno de fundo estiver fora dos padrões de segurança, como por exemplo, superdimensionado –  como no caso da piscina onde Flavia sofreu o acidente, o perigo para os usuários passa a ser infinitamente maior.
Não posso entender e muito menos aceitar, como é que piscinas - estejam elas onde estiverem - possam funcionar com seus sistemas de sucção fora dos padrões de segurança. Não posso entender e muito menos aceitar que empresas e pessoas que mantêm essas piscinas funcionando sem os imprescindíveis cuidados com a segurança, continuem com suas negligências sem que sofram punições severas pelos acidentes graves e fatais que seus produtos causam aos usuários. Além do acidente que deixou Flavia em coma vigil irreversível, - como sabem quem nos acompanha - estão documentados neste blog, vários outros acidentes causados por ralos de piscinas funcionando de forma irregular, acidentes estes ocorridos por todo o mundo: Brasil, Portugal, Estados Unidos, Tailândia... A negligência que não é punida, tende a se repetir.
Até o fim de minha vida, e todas as vezes que eu olhar para minha filha, imóvel e inconsciente – EM COMA VIGIL - vou defender este ponto de vista, porque é nisto que acredito: O fabricante de piscinas e de seus respectivos equipamentos de sucção, (motor, bomba, filtro) TEM SIM, o dever e a obrigação de se preocupar em corretamente orientar os seus clientes sobre o potencial perigo de seus equipamentos, caso sejam instalados e mantidos de forma irregular. A informação, o conhecimento técnico, é o fabricante quem tem. Portanto, a obrigação de orientar também.
Como sabem os leitores deste blog, o fabricante da bomba e do filtro da piscina que sugou os cabelos de Flavia, deixando-a em coma vigil irreversível, a empresa Jacuzzi do Brasil, depois de mais de 10 anos de luta nos tribunais de São Paulo e Brasília, onde, para se defender, colocou a culpa do acidente em mim, mãe da vítima, chegando a me chamar de “mãe relapsa”,  NÃO FOI CONDENADA pelo acidente causado à Flavia.
Pelo fato da Jacuzzi não ter orientado em seus manuais sobre o risco do tipo de acidente causado à Flavia, (sucçao dos cabelos pelo ralo) sempre vou considerá-la co-responsável (junto com o condomínio) por este acidente que destruiu a vida de minha filha. Mas ao contrário do que penso e do que julgou o Ministro do Superior Tribunal de Justiça em Brasilia ( Luis Felipe Salomão – voto vencido por 5 a 1) a justiça não considerou a Jacuzzi culpada pelo acidente. (Aqui: FLAVIA, UM CASO TRÁGICO, UMA SUCESSÃO DE ERROS)
Infelizmente, é como diz o meu amigo Peciscas de Portugal, no vídeo que está ali, na lateral deste blog, e que já se aproxima das 50 mil visualizações no YOU TUBE: “...mas a justiça nem sempre cumpre o seu dever essencial de proteger os mais frágeis contra prepotências e agressões...”.
E assim continuamos a assistir novos acidentes causados pela forte sucção de ralos de piscinas fora dos padrões de segurança. E assim continuamos a ver pessoas – principalmente crianças - serem vítimas de acidentes causados por ralos de piscinas irregulares. A negligência que não é punida, tende a se repetir...
Até o próximo post.



sexta-feira, 13 de novembro de 2009

SEM ENERGIA ELÉTRICA. E A VIDA DEPENDENDO DELA.



Dois dias após o Brasil ter ficado literalmente no escuro com o apagão de grandes proporções que afetou, pelo menos, 18 de nossos estados - 1.800 cidades, o noticiário ainda da ênfase ao gigantesco blecaute e provavelmente, neste fim de semana, este assunto será a capa das principais revistas semanais do país.
Quando morávamos em Moema e faltava energia elétrica, para ligar o aspirador absolutamente indispensável para aspirar as secreções que, devido a imobilidade, a toda hora se formam nos pulmões de Flavia, eu usava um aparelho No Break com capacidade para operar por 8 horas. Era um aparelho imenso e muito pesado aquele, mas do qual me utilizei até que nos mudamos para este apartamento onde passei a morar com meus filhos, e onde tem gerador, que diminui a dificuldade de cuidar de Flavia sem energia elétrica.
No prédio onde hoje moramos, no hall de serviço de cada andar existe uma tomada que fornece energia elétrica vinda do gerador. Quando a luz acaba como neste imenso blecaute da noite de terça para quarta-feira, eu me utilizo de uma longa extensão que vai do quarto de Flavia até o hall de serviço. Além de poder usar o aspirador de secreções, dá para ligar também uma ou outra luminária para evitar ter que cuidar de Flavia à luz de velas, como acontecia em Moema. Mas não posso deixar de pensar na aflição de pessoas que não contam com um gerador de energia elétrica para os cuidados essenciais de pessoas doentes. Em São Paulo, por exemplo, em um Hospital sem gerador de energia elétrica, um bebê teve que ser retirado da UTI às escuras.
Vi e ouvi ontem na TV o ministro Tarso Genro dizer que o apagão que deixou o país por horas nas trevas, teria sido um “microincidente dentro de conquistas extraordinárias durante sete anos na produção de energia”. Microincidente?! Não pensará assim quem depende de energia elétrica para cuidados essenciais, sem os quais , a vida fica por um fio.
Até o próximo post.

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

PRA SEMPRE A MESMA IDADE...

Filhos, pra sempre a mesma idade, pra sempre sempre esta saudade...Pra sempre.
.
Flavia e Fernando. Ela, aos 6 meses. Ele, aos 4 anos.

SECO
Daqui de onde eu vejo
Daqui dessa saudade
Me falta paisagem...
Às vezes um bocejo
Às vezes, caridade
Me sinto uma bobagem...
Não sinto quase nada
Não sou pra quase nada
Nem sei se sou verdade...
É sempre um pulso lento
Sempre a falta de vento
Pra sempre a mesma idade...
Já fui muita vontade, gritei meus mil lampejos
Agora eu choro calada
De todos meus desejos, sobrou-me a crueldade
Viver caiu no esquecimento...
Faz tempo, eu não me vejo
De mim tenho saudade
Sou mera paisagem...

Fernando Belo - Novembro de 2008.

Fonte: Blog Viver de Brisa

Filho, - de vez em quando - imaginar os sentimentos de sua irmã, é sem dúvida, demonstração de sensibilidade e amor de sua parte. Por isso e pelo homem correto que você hoje é, eu amo você.

domingo, 25 de outubro de 2009

SIGA TOCANDO FLAVIA, SUA MELODIA DE AMOR.


Este é o teclado que Flavia dividia com Fernando, quando ambos eram crianças.
A escola onde meus filhos estudavam música, a Harmony Music Center, dirigida pelo simpático Sr.Mário, organizava com certa freqüência apresentações dos alunos nas Pizzarias de Moema, bairro onde morávamos na zona sul de São Paulo. Cada aluno tocava uma música previamente ensaiada com seus professores.
Palavras de uma declaração de  Isabel Martins Gonzalez, professora de música de Flavia:
"...Em todas as apresentações  em público proporcionadas pela Escola, Flavia estava sempre presente, destacando-se dos demais alunos, por sua capacidade em tocar, fazer arranjos e improvisações próprias sobre a música que iria executar, demonstrando desembaraço e desenvoltura em suas apresentações"
Já estávamos acostumados a ver: Quando uma das crianças errava a nota da música que estava tocando, ficava encabulada e saia do palco. Mas Flavia não.  Demonstrando segurança, improvisava outra nota e ninguém,  a não ser Isabel, percebia o arranjo feito por Flavia que decidida a apresentar a sua música, seguia tocando no palco.
E assim continua Flavia, que não desiste e não sai de cena. Flavia continua no palco tocando as notas de sua vida, que apesar da dor, é também uma melodia de amor.
Pra você filha, os meus aplausos.
Bom domingo a todos e até o próximo post.

segunda-feira, 19 de outubro de 2009

UMA LEI FEDERAL P/ SEGURANÇA NAS PISCINAS! PARA QUANDO SENHORES?!

Insisto neste assunto:
Há cinco meses, escrevi um post sobre a necessidade de uma Lei Federal para a segurança nas piscinas. Um passo foi dado a respeito, quando na cidade paulista de Santo André, o vereador Gilberto Wachtler inspirado no caso de Flavia, conseguiu que seu Projeto de Lei fosse aprovado. (veja na lateral deste blog) Que eu saiba, Santo André passou a ser única cidade brasileira a ter uma lei voltada para a segurança das piscinas.
Infelizmente, nenhum outro político imitou o gesto do vereador Gilberto Wachtler e não se ouve falar de nenhuma outra iniciatva com relação à Lei de Segurança para as piscinas. O ideal seria que houvesse uma LEI FEDERAL para a segurança nas piscinas e caso essa lei não fosse cumprida, que houvesse punição severa para os infratores.
A midia - toda e qualquer midia - mas principalmente os grandes canais de comunicação, poderiam, principalmente no meses que antecedem e durante o verão, fazer campanhas de alerta para o perigo dos ralos de piscinas. Mas não só: Essa campanha poderia, contar com a participação de fabricantes de sistemas de sucção de piscinas, com o objetivo de conscientizar as demais empresas do setor, da necessidade absoluta de devidamente orientar em seus manuais, para todo e qualquer tipo de acidente que seus produtos possam causar, se não forem instalados e mantidos de acordo com as normas de segurança.
Segundo a norma NBR10.339 da ABNT, a succção da água da piscina precisa ser feita por dois ou mais dispositivos. Podendo ser eles o dreno de fundo, skimmer e dispositivo de aspiração, evitando que todo o poder de succção se encontre em um só bocal, o que poderia provocar qualquer tipo de incidente. Fonte: Site da Sodramar, link Segurança na Piscna
Uma Lei Federal e uma campanha de alerta e orientação. É isso ou daqui a pouco teremos notícia de mais um acidente fatal causado por um ralo de piscina. VENDIDO, INSTALADO e FUNCIONANDO de forma irregular. Exatamente como ocorreu no acidente que deixou Flavia em coma vigil irreversivel.
Abaixo transcrevo trechos de alguns dos comentários deixados no meu post de Maio.
R. Rudoisxis (Portugal) disse...
Era essencial uma base de dados que mostrasse as mortes e acidentes gravosos ocorridos com as bombas de sucção, afim de que a fiscalização e as autoridades licenciadoras pudessem dar mais atenção a estes equipamentos. Elegemos o superfluo em detrimento do essencial em completo desrespeito pelas vitimas e por aquelas crianças e adultos que são potenciais candidatos a vitimas no futuro.
Até quando senhores?
Quarta-feira, Maio 20, 2009

Elvira Carvalho (Portugal) disse:
Infelizmente amiga, os governos parecem andar mais virados para outras coisas. Provavelmente se acontecesse com um filho ou neto do presidente, ou de um 1º ministro, outro galo cantaria, e logo, logo a lei saía.
Quarta-feira, Maio 20, 2009

Margareth disse...
Odele,
Que pena que este teu grito de alerta para o perigo dos ralos de piscinas continua a ser ainda tão solitário.Muita gente te apoia, mas cadê o governo que não te enxerga, que não te escuta? E concordo totalmente com o comentário anterior. Por enquanto nenhuma filha ou filho de uma autoridade foi sugado por um ralo de piscina. Mas é preciso que eles se lembrem que tragédias não acontecem só com os filhos dos outros. Uma lei assim como você sugere, desde que praticada com rigor, poderia salvar muitas das vidas que infelizmente ainda vamos perder pelo mesmo tipo de acidente que deixou sua filha em coma. Um ralo de piscina instalado de forma errada.
Quando é que as autoridades vão ouvir teu grito?! Quantas vidas ainda precisarão ser sugadas por ralos de piscinas até que essa gente se convença de que você está certa?!
Muito triste essa omissão das autoridades brasileiras com relação a este tema que você vem tratando aqui no blog de sua filha, com tanta garra e perseverança. Veja que lá nos Estados Unidos foi diferente. Ou será que também é porque lá aconteceu com parente de gente importante...?
Quarta-feira, Maio 20, 2009

Silêncio Culpado (Portugal) disse:
Odele
Talvez faça falta ao Brasil que aconteça um acidente com um filho(a) de alguém do governo para que haja uma maior consciência e legislação adequada no que respeita a ralos de piscina.
Bom, Odele, mas eu não queria dizer o que disse. O que aconteceu à tua filha não se deseja a ninguém. E nós (todos aqueles que te acompanharemos sempre na tua caminhada) não queremos sangue mas justiça. Queremos apenas que digam ao mundo que todos os culpados foram identificados porque eles têm um nome e uma responsabilidade. A tua filha paira noutro mundo, que tu desconheces, porque alguém lhe apontou um ralo assassino.
Odele, nós não nos calaremos quando tu choras.
Quarta-feira, Maio 20, 2009
===========
Até o próximo post.

segunda-feira, 12 de outubro de 2009

DESCASO COM A VIDA HUMANA E IMPUNIDADE.


Fantasias e sonhos destruídos. A infância e este sorriso roubados.
Na foto, Flavia, aos 8 anos com o rostinho pintado e se divertindo com o animador de uma festa, uma das muitas que eu freqüentava com meus filhos quando crianças.
Para quem já conhece a história de Flavia, escrevo para relembrar, e para quem está conhecendo agora, para informar:
Março de 2009: (11 anos depois...)  O processo no qual co-responsabilizo o condomínio Jardim da Juriti, e a empresa Jacuzzi do Brasil, pelo acidente que deixou minha filha em coma vigil irreversível, depois de mais de nove anos na justiça paulista, foi julgado pelo – STJ - Superior Tribunal de Justiça em Brasília. Dos 5 ministros que votaram a sentença, apenas um - Luis Felipe Salomão - concordou comigo de que a empresa fabricante do sistema de sucção da piscina que sugou os cabelos de Flavia, deixando-a presa embaixo dágua, a JACUZZI DO BRASIL, seria co-responsável no grave acidente causado à Flavia. Infelizmente, o Condomínio, em vez de acertadamente colocar a co-responsabilidade do acidente com Flavia no fabricante do equipamento, - por todos esses anos de batalha judicial - o Condomínio Jardim da Juriti,  usou a mesma  tática de defesa da Jacuzzi: Culpar a mim, mãe da vítima. Ao final, o Condomínio acabou sendo 100% responsabilizado.
 "Vencido, o ministro Luis Felipe Salomão entendeu que a Jacuzzi deveria ser condenada porque os manuais não alertam sobre o risco de acidentes como o que aconteceu com Flávia. Somente relatam a potência adequada para cada tipo e tamanho de piscina. “Ao não alertar expressamente sobre o perigo de usar um equipamento inadequado, a fabricante se tornou responsável pelo acidente”, disse Salomão."
A matéria completa sobre a sentença do processo de Flavia no STJ está neste link do Consultor Jurídico, de onde copiei o parágrafo acima.
Quem roubou as fantasias de criança e este sorriso de Flavia, não deveria ter perdão. Mas teve. Quem, junto com o Condomínio Jardim da Juriti, foi co-responsável pelo acidente que deixou minha filha em coma, a empresa fabricante do ralo da piscina onde Flavia teve os cabelos sugados - JACUZZI DO BRASIL, não deveria ter sido ilibada de culpa. Mas foi. E mais uma vez a justiça foi injusta, porque demorou em julgar, - no caso de Flavia, mais de 11 anos! Porque isentou de culpa quem deveria condenar. Mais uma vez a justiça deixa impune quem deveria exemplarmente punir, colaborando dessa forma com um ambiente propício para que negligências e descaso com a vida humana continuem a fazer vítimas.No caso de acidentes com ralos de piscinas, essas vítimas têm sido na sua maioria crianças, que assim como Flavia, terão seus sonhos e fantasias desfeitos e a vida destruída.
Obrigada por sua visita e comentário e até o próximo post.

Nota: Quando terminei de escrever este post, o vídeo com a história de Flavia, (no post anterior e na lateral deste blog) já estava com 40.686 visualizações, o que significa que em uma semana, foi visto 707 vezes. Muito obrigada!

Filha, neste 12 de Outubro, Dia da Criança, o meu abraço e a minha homenagem à alegre e saudável CRIANÇA que você foi e que sempre estará em minha memória.

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

VÍDEO DE FLAVIA NO YOU TUBE: VISTO QUASE 40 MIL VEZES. QUASE!

Há pouco mais de um ano, exatamente a 15 de Setembro de 2008, realizava-se a segunda Blogagem Coletiva pela causa de minha filha, com o título JUSTIÇA PARA FLAVIA. Como muitos sabem, Blogagem Coletiva é a união de vários blogs escrevendo sobre um mesmo tema, em um período, ou em um dia pré-determinado. A Blogagem Coletiva tem por objetivo, chamar a atenção para algo, principalmente no que diz respeito a negligências, faltas, omissões e desrespeito aos direitos humanos. Esta Blogagem Coletiva para Flavia teve como objetivo chamar a atenção dos ministros do Superior Tribunal de Justiça de Brasilia,  para a longa espera de Flavia por justiça. O processo, iniciado na justiça de São Paulo, já durava mais de 10 anos.
Naquele dia 15 de Setembro de .2008, mais de 250 blogs do Brasil e de vários outros países participaram da Blogagem Coletiva JUSTIÇA PARA FLAVIA, através de uma PONTE DE AMOR COM O MUNDO e numa demonstração de indignação e solidariedade que muito me comoveu. O trabalho de ilustração daquela Blogagem, conforme mencionado, é de Adesenhar, outro dos muitos amigos portugueses sempre presente à causa de Flavia. Naquele dia, graças a todos que nos apoiaram, Flavia, mesmo imobilizada e inconsciente em sua cama, visitou várias cidades do Brasil e do mundo, comunicou-se com muitas pessoas, andou, falou, atravessou fronteiras. Naquele dia,  Flavia voou longe...
O vídeo abaixo, foi gentil e sensivelmente elaborado   por meu amigo António, do blog Peciscas de Portugal, para a Blogagem Coletiva JUSTIÇA PARA FLAVIA. Este vídeo que também está na lateral deste blog, no momento em que publico este post, está com 39.979 visualizações no YOU TUBE. Trago-o novamente aqui um ano depois, para agradecer a TODOS que o viram e a TODOS que o levaram para a lateral de seus blogs, divulgando a história de Flavia pelo Brasil e pelo mundo, desta forma colaborando para alertar as pessoas sobre um perigo do qual  nem todos ainda se dão conta: Ralos de Piscinas podem prender embaixo dágua e matar uma pessoa. Ralos de piscinas podem deixar uma pessoa em coma. O vídeo mostra também minha luta por justiça para Flavia, onde lamentavelmente a frase de António se confirma:  “mas a justiça nem sempre cumpre o seu dever essencial: Proteger os mais frágeis de prepotências e agressões”. E eu acrescentaria: Que esta justiça, que apesar de feita por homens, é tão desumana, tão insensível, tão lenta, tão burocrática, tão falha, não nos desencoraje a enfrentar quem nos causa danos, quem nos desrespeita, quem nos rouba o que temos de mais precioso: A vida ou a saúde perfeita de um filho.



A TODOS que viram e verão este vídeo, a todos que o têm, a todos que o levarem para a lateral de seus blogs, em meu nome e em nome de Flavia, MUITO OBRIGADA.

Fiquem com o meu carinho e até o próximo post.

segunda-feira, 28 de setembro de 2009

CIRURGIAS E A BUSCA POR QUALIDADE DE VIDA.


Não bastasse minha filha ter sido vítima da incúria de uma empresa e de um condomínio irresponsáveis, não bastasse todo o sofrimento físico imposto à Flavia em decorrência desse acidente que lhe roubou a infância e lhe está roubando a juventude, algumas cirurgias tiveram que ser feitas ao longo dos anos, com o objetivo de dar à Flavia um pouco mais de qualidade de vida. Uma dessas cirurgias ocorreu em 2004.
Uma severa disfagia (incapacidade de engolir) levava Flavia a ter aspiração crônica de saliva, com risco de infecção pulmonar e insuficiência respiratória. Avaliada pela Otorrinolaringologista, Dra.Dayse Manrique, com Mestrado e Doutorado pela UNIFESP-EPM (*), Flavia teve indicação de passar pelos seguintes procedimentos cirúrgicos para a redução da saliva:
- Plástica do ducto de Stenon (bilateral)
- Ressecção das glândulas submandibulares (bilateral)
(*) A Unifesp/EPM (Universidade Federal de São Paulo/Escola Paulista de Medicina) é um dos centros de excelência na formação e titulação de profissionais na área da saúde no Brasil.
Mas por melhor que seja o médico, uma cirurgia sempre nos causa angústia. E diante da necessidade de mais um procedimento doloroso no corpo de minha filha fiquei angustiada. Para tomar minha decisão, eu quis conhecer duas meninas que foram – pelo mesmo motivo – operadas pela Dra.Dayse Manrique. Após ver essas duas crianças e conversar com suas mães, decidi por mais essa cirurgia em Flavia, pensando obviamente na redução das desconfortáveis aspirações a que ela era submetida. De 20 a 25 vezes ao dia uma sonda de aspiração traqueal era introduzida em suas narinas.
O resultado da cirurgia excedeu às minhas expectativas. Dra.Dayse Manrique, tão competente quanto delicada, além de ter diminuído a salivação de Flavia, não lhe deixou quase cicatriz no pescoço. O corte, uma linha fina e discreta, se confunde com a dobra do pescoço. Mal se vê a marca da cirurgia e desde então Flavia teve uma significativa melhora de qualidade de vida. A média de aspirações caiu para 8 a 10 ao dia.
E assim continuamos eu e Flavia, sempre em busca por dias melhores. É a esperança, algumas vezes vivida, no limite da exaustão.

Até o próximo post.


segunda-feira, 21 de setembro de 2009

TRANSPORTANDO FLAVIA EM SUA CADEIRA DE RODAS.

Esta foto foi tirada ainda neste mês de Setembro, quando eu levava Flavia para uma consulta médica. O homem na frente de Flavia é Reginaldo, proprietário dessa Van e que sempre me atende quando peço a ele para transportar Flavia. Reginaldo trabalha muito e está sempre ocupado, mas basta eu solicitar com pelo menos uma semana de antecedência que ele dá um jeito de me atender. E isto, há anos.
Esta Van de Reginaldo não é exatamente adaptada para transportar pessoas com necessidades especiais. Ele a usa para transportar pessoas saudáveis. Mas reparem que a Van de Reginaldo, além de espaçosa é bastante alta, o que me permite colocar Flavia aí dentro, sentada em sua cadeira de rodas. Transportar Flavia em uma ambulância é quase impossível, já que o preço desse serviço é muito alto. E também pelo tanto que custa, já desisti de comprar um veiculo especial para eu mesma transportar Flavia. Fiquei então com a opção de me utilizar dos serviços de Reginaldo sempre que preciso levar Flavia à consultas e exames médicos.
Mas dá um pouco de trabalho colocar Flavia – sentada na cadeira de rodas - em posição de ser transportada. Masé entra na Van e segura uma parte da cadeira que, com Flavia sentada, e sendo erguida, fica bastante pesada. Reginaldo fica no chão e levanta a outra parte da cadeira. Cuidadosamente Flavia é acomodada dentro da Van. Vou à frente com Reginaldo e Masé vai atrás ao lado de Flavia, cuidando para que ela fique confortável e nenhum problema aconteça durante o percurso de casa ao consultório médico ou ao hospital. Nessa “viagem”, ida e volta nossa atenção fica totalmente voltada para Flavia. Reginaldo vai dirigindo devagar, mesmo que por vezes seja xingado no trânsito. Por vezes rimos dos xingamentos, mas de vez em quando nos irritamos com os motoristas impacientes. Masé vai ajeitando a cabeça e os pés de Flavia e eu quase adquiro um torcicolo de tanto que viro a cabeça para trás para ver se Masé precisa de ajuda. E lá vamos nós.
Já falei de Masé pra vocês. Masé é Técnica de Enfermagem. Uma profissional comprometida, competente e carinhosa com Flavia que há mais de seis anos vem me ajudando nos cuidados com minha filha. Mas eu ainda não tinha falado de Reginaldo, que sempre prestativo e gentil é outro ser humano especial com quem tenho o privilégio de contar para tornar o delicado transporte de Flavia, um pouco mais simples, um pouco mais leve, e muito mais amoroso.
Por mais que - para alguns - isso possa parecer antipático e sejamos taxados de “muito exigentes” - como sou - sermos cuidadosos com nossos entes queridos com necessidades especiais, inclui isso também: Colocar perto deles apenas pessoas responsáveis, competentes, gentis, carinhosas. Pessoas também especiais. Assim como Masé e Reginaldo.
Até o próximo post.

segunda-feira, 14 de setembro de 2009

DANOS ESTÉTICOS PARA FLAVIA - UM RECONHECIMENTO TARDIO.

Nas duas fotos menores eu e Flavia, quando sorrir era muito fácil. Usando óculos, Flavia, uma semana antes do acidente, saudável e feliz.

Pés de Flavia, em formato equinos. Nem a Fisioterapia diária dá jeito, já que nada substitui o nosso caminhar.

A deformidade nos pés é um dos muitos DANOS ESTÉTICOS causados à Flavia. Há outros, como por exemplo, deformidade das mãos que ficaram enrijecidas pela hipertonia, perda de massa muscular causada pela imobilidade, orifício no estômago - gastrostomia - por onde ela é alimentada. E uma cicatriz de 55 cm nas costas, onde lhe foi implantada - dois anos após o acidente - uma haste de metal para conter a severa escoliose que lhe entortava o corpo. Definitivamente, estes são DANOS ESTÉTICOS.
Há 15 dias li esta notícia:
“STJ edita súmula sobre danos estéticos e morais
É possível a acumulação das indenizações de dano estético e moral. Esse é o teor da Súmula 387, aprovada pela 2ª Seção do Superior Tribunal de Justiça. De acordo com o entendimento firmado, cabe a acumulação de ambos quando, ainda que decorrentes do mesmo fato, é possível a identificação separada de cada um deles.
Em um dos recursos que serviu de base para a edição da Súmula 387, o STJ avaliou um pedido de indenização decorrente de acidente de carro em transporte coletivo. Um passageiro perdeu uma das orelhas na colisão e, em consequência das lesões sofridas, ficou afastado das atividades profissionais. Segundo o STJ, presente no caso o dano moral e estético, deve o passageiro ser indenizado de forma ampla.
Em outro recurso, um empregado sofreu acidente de trabalho e perdeu o antebraço numa máquina de dobra de tecidos. A defesa da empresa condenada a pagar a indenização alegou que o dano estético era uma subcategoria de dano moral, por isso, eram inacumuláveis. “O dano estético subsume-se no dano moral, pelo que não cabe dupla indenização”, alegou.
O STJ, no entanto, já seguia o entendimento de que é permitido cumular valores autônomos, um fixado a título de dano moral e outro a título de dano estético, derivados do mesmo fato, quando forem passíveis de apuração separada, com causas inconfundíveis. O relator da nova súmula é o ministro Fernando Gonçalves. Com informações da Assessoria de Imprensa do Superior Tribunal de Justiça."
Fonte: Consultor Jurídico (31.08.2009)
Quando mais de 11 anos atrás, no processo que movi contra os responsáveis pelo acidente que deixou minha filha em coma, meu advogado Dr.José Rubens Machado de Campos, sustentou na inicial, que além dos danos físicos e morais deveria haver indenização também por DANOS ESTÉTICOS causados à Flavia. Esse direito de Flavia lhe foi negado - por longos nove anos – na Justiça Paulista. Em Brasília, os ministros do Superior Tribunal de Justiça, entenderam diferente e condenaram – em março de 2009, o condomínio Jardim da Juriti, a pagar 50 mil reais pelos DANOS ESTÉTICOS causados à Flavia, valor esse que até agora Flavia não recebeu. Como já informei, a empresa fabricante do ralo, a Jacuzzi do Brasil, apesar de não ter alertado em seus manuais para a possibilidade do tipo de acidente ocorrido com Flavia, a empresa Jacuzzi do Brasil não foi condenada.
Por todos estes anos de espera, pela tardança no reconhecimento dos DANOS ESTÉTICOS como um direito de Flavia, sinto - com relação à nossa justiça.- DECEPÇÃO. Pela não condenação da empresa Jacuzzi do Brasil, como co-responsável pelo acidente causado à Flavia, - porque entendo que a justiça para Flavia não se fez por completo, sinto INDIGNAÇÃO. Que vergonha eu tenho da justiça de meu país. E quanto lamento por Flavia e por todos quantos precisam lutar - por anos a fio - para ver minimanente respeitados os seus direitos. Que vergonha eu sinto da (in) justiça de meu país.
Até o próximo post.

quinta-feira, 3 de setembro de 2009

O QUE AMENIZA A DOR? - POR EXEMPLO, TRABALHO E AMOR.

A famosa novelista brasileira GLÓRIA PEREZ, publicou nesta quarta-feira em seu BLOG DE TUDO UM POUCO que acabou de escrever os últimos capítulos da novela CAMINHO DAS ÍNDIAS, levada ao ar pela Rede Globo e que, a exemplo de outros trabalhos de Glória Perez, tem sido grande sucesso de audiência.
Eu, que não via novelas há tempos, me apaixonei por Caminho das Índias e desde o início tenho seguido esta novela com atenção e me encanto com a capacidade de Glória Perez de com seu trabalho, levar ao público, simultaneamente, entretenimento e informação. Foi assim com outras novelas de Glória, está sendo assim com Caminho das Índias.
Por exemplo: O ator Bruno Gagliasso vive (brilhantemente) um esquizofrênico. Essa campanha social da novela de Glória Perez enfocando a Esquizofrenia traz esclarecimentos preciosos sobre a doença, o que pode resultar numa diminuição do preconceito e do estigma da doença mental, beneficiando principalmente pacientes e familiares. Outro entre os temas tratados é a Psicopatia, mostrando como funciona a mente de um psicopata, um indivíduo frio e calculista. Aprendi muito sobre Psicopatia com a novela de Glória.
Como bem sabem os leitores brasileiros deste blog, em 28 de Dezembro de 1992, Glória Perez teve uma filha assassinada por dois psicopatas frios e calculistas. Guilherme de Pádua e sua então mulher, Paula Thomas. A filha de Glória, a linda atriz Daniella Perez, atuava como “Yasmin” na novela “De Corpo e Alma” escrita por sua mãe, quando foi atraída para uma emboscada e brutalmente assassinada por seu colega de elenco e a mulher deste. Um crime brutal que chocou o Brasil.
Glória Perez sobreviveu não só à dor pela morte de Daniella, como sobreviveu a outras perdas de entes queridos. Mas enquanto chorava, Glória trabalhava. E hoje, Glória luta contra um linfoma. Fazia quimioterapia enquanto escrevia a novela Caminho das Índias. Enquanto lutava, Glória trabalhava e através da novela fazia campanha social, mostrando situações e passando informações que podem levar as pessoas a refletir e a repensar atitudes preconceituosas, deixando de ser reativas e passando a ser mais pró ativas, em benefício próprio e de seus familiares.

É assim que eu entendo que devemos reagir à dor: Com trabalho e atitudes que possam beneficiar outras pessoas. Nossa dor não pode ser inútil. Nossa dor tem que servir para algo. É assim que eu consigo exorcizar um pouco esta dor por ver - há tantos anos - minha filha em coma. Trabalho, por exemplo, escrevendo neste blog, participando - quando me convidam - de entrevistas para jornais, revistas e emissoras de TV, sempre com a intenção de divulgar a história de Flavia, mostrando minha indignação pela forma como o caso de minha filha foi tratado pela justiça brasileira - uma lentidão inaceitável - e depois de mais de 11 anos - uma meia justiça, assim como alertar para o tipo de acidente que deixou minha filha em coma.
Obedecendo as devidas proporções de visibilidade, já que eu e Flavia não somos conhecidas como Glória Perez, eu acredito que o blog FLAVIA VIVENDO EM COMA, tem levado informações úteis a pessoas de vários países e alertado para o perigo dos ralos de piscinas. É gratificante quando recebo um e-mail dizendo: “Odele, eu não sabia que ralos de piscinas oferecem perigo para os usuários, vim saber disso através do que você escreve no blog de sua filha e agora, sempre que entro em uma piscina, penso em Flavia e fico longe do ralo”. E eu digo: Conscientizamos mais uma pessoa Flavia, e é possível que essa pessoa conscientize outra, e mais outra, e mais outra.... E assim filha, vamos trabalhando e levando nossa mensagem adiante.
Sou muito grata à novelista Glória Perez, porque – sem que eu precisasse lhe pedir - já há bastante tempo, Glória linkou o blog de Flavia ao seu DE TUDO UM POUCO. E quando lhe pedi, já há bastante tempo, para levar também para seu blog o vídeo com a história de Flavia, este que está na sidebar deste blog, feito pelo amigo PECISCAS de Portugal, sem demora, Glória me respondeu: “Claro, querida, o vídeo de Flavia, já está lá no meu blog”. E constatei que Glória Perez é também uma pessoa doce, um exemplo de que a dor não nos impede de praticar o amor.
Um abraço a todos e até o próximo post.

quinta-feira, 27 de agosto de 2009

FLAVIA, SUA LUTA NÃO HÁ DE SER EM VÃO.

A vida era assim: Bonita e divertida como os personagens da Disney.

A vida hoje é: Além de luta incessante contra todo tipo de dificuldade: Cuidados constantes, Amor, Carinho. E muita saudade.
Flavia, filha querida,
Não há de ser em vão, a perda de teus sonhos e fantasias de criança. A luta por justiça, tão tardia, tão distante e fria. Nossa busca sem trégua pelo fim da negligência e da impunidade que parece ser a tônica deste nosso Brasil, onde só os poderosos têm sido ouvidos.
Mas vamos continuar nossa luta filha, porque conosco temos um precioso patrimônio: A amizade e a atenção de pessoas de todos os cantos do mundo, que como nós, não se calam diante de negligências e injustiças. Nem de meias justiças.
Alguém haverá de nos ouvir. Algo haverá de mudar. E dessa forma filha, sua luta não será em vão.

terça-feira, 25 de agosto de 2009

MENINA DE 3 ANOS: MAIS UMA VÍTIMA DE RALO DE PISCINA.


Menina com braço preso em filtro de água da piscina é resgatada nos EUA.

Os bombeiros conseguiram retirar a menina da piscina com o cano preso ao braço. Ela tremia muito mas estava calma.

Nos Estados Unidos, momentos de pânico em uma piscina. Uma menina de 3 anos ficou com o braço preso na saída do filtro de água. A operação de resgate mobilizou os bombeiros de Miami, na Flórida.

Os bombeiros tiveram que serrar o cano para tentar soltar o braço da menina. Durante a operação de resgate, a piscina foi esvaziada mais de meio metro. Todo o tempo a mãe da garota mantinha a cabeça dela acima da água.

No fim, alívio geral. Os bombeiros conseguiram retirar a menina da piscina com o cano preso ao braço. Ela tremia muito mas estava calma.

Fonte: G1



Vídeo do salvamento desta criança.


Obrigada ao blog Brasil Contra a Pedofilia que me forneceu a foto e o vídeo acima.
Este outro vídeo da CNN me foi enviado pela leitora Patricia, a quem tamém agradeço.
A idade das vítimas: 3 anos, 9, 10, 12, 13, 15, 23...Os acidentes com ralos de piscinas vêm causando - com frequência - acidentes graves e mortes em pessoas de qualquer idade, mas as crianças têm sido mesmo as principais vitimas.
Como bem observado por minha amiga Isabel Filipe, em seu comentário, o ralo causador deste acidente, estava localizado na lateral da piscina, o que possibilitou à mãe da criança, manter sua cabeça fora dágua, enquanto se procediam as manobras de salvamento. Quando no entanto, o ralo estiver localizado no fundo da piscina como foi no caso do acidente com Flavia e de muitos outros aqui documentados, a morte por afogamento da pessoa presa ao ralo, é quase certa.
Estes acidentes só vão deixar de acontecer quando efetivamente for levada a sério a segurança com os sistemas de sucção de piscinas. Até lá, vamos vivendo na roleta russa. Quem será a próxima vítima?!

segunda-feira, 17 de agosto de 2009

PISCINAS - UM PROJETO DE LEI PARA SALVAR VIDAS!

Motivado pelo caso de Flavia, que conheceu através de uma reportagem da Revista da Folha, do Jornal A Folha de São Paulo, o Vereador Gilberto Wachtler, ou Gilberto do Primavera, da cidade de Santo André - São Paulo, apresentou Projeto de Lei que torna obrigatório a utilização da norma ABNT 10.339 para construção de piscinas no município de Santo André. O objetivo é de tornar as piscinas mais seguras, evitando acidentes por sucção pelo ralo de fundo. O Projeto do Vereador Gilberto Wachtler, de número 171/2009 foi protocolado em 25/06/2009. Esperemos que seja aprovado.
Uma lei que regulamente a venda, instalação e manutenção de piscinas de uso público e coletivo, deveria existir - o quanto antes - em nível nacional. Quem sabe algum outro político se inspire no Vereador Gilberto Wachtler e copie sua idéia e apresente um projeto de lei para segurança no uso de piscinas, que possa beneficiar todo o Brasil. Boas idéias devem ser copiadas, obviamente, mencionando-se a fonte. Bons projetos devem ser aprovados. Que este importante projeto de lei do Vereador Gilberto Wachtler seja aprovado e que a lei para segurança no uso de piscinas passe a vigorar em Santo André e possa se ampliar rapidamente por todo o Brasil.
O Vereador Gilberto Wachtler solicitou minha participação em um vídeo para dar mais força ao seu projeto de lei para segurança nas piscinas. Aceitei participar do vídeo, com muito gosto.

Observações:
O especialista em equipamentos que faz a simulação da sucção de cabelos pelo ralo é Vladimir, funcionário da empresa Sodramar.
O médico que faz um comentário durante a apresentação do Vereador Gilberto é o Dr. Israel Zekcer.
"... nós atendemos várias crianças com este tipo de acidente (causado por ralos de piscina) no Pronto Socorro do Hospital Brasil (Hospital de Santo André) ..."
Um Projeto de Lei direcionado para a segurança nas piscinas, pode ser considerado um projeto de lei para salvar vidas humanas. Que venha esta lei. O quanto antes.
Ao Vereador Gilberto Wachtler, o meu MUITO OBRIGADA.
MUITO OBRIGADA também ao Vladimir e à empresa Sodramar pela preocupação que vem demonstrando ter com a segurança de seus sistemas de sucção de piscinas.
Até o próximo post.

segunda-feira, 10 de agosto de 2009

CABELOS SEMPRE LONGOS, DO JEITO QUE FLAVIA GOSTAVA.

Ary, cabeleireiro de Flavia, cortando os cabelos dela em Outubro de 2008.
Flavia, na cama, com os cabelos em trança. Foto tirada hoje.

Na primeira foto está Ary, meu cabeleireiro e também de Flavia. Ary já atendia Flavia desde que ela era uma criança alegre e saudável. Depois que Flavia sofreu o acidente que a deixaria em coma vigil, logo após ela ter saído do hospital onde ficou por quase um ano, ele passou a atender Flavia em casa. Ary vem cortar o cabelo de Flavia, uma vez por ano – normalmente no mês de Outubro e no dia de sua folga no salão QG de Moema, onde ele trabalha já há muitos anos. E Ary, nunca aceitou pagamento pelo corte de cabelo de Flavia, diz que é presente pra ela. Na segunda foto, Flavia como normalmente fica na cama, com os cabelos presos. Nesta foto, os cabelos de Flavia já estão bem longos, porque já faz quase um ano que foram cortados.
O corte de cabelo de Flavia, Ary faz levemente repicado e comprido o suficiente para podermos na cama, fazer um rabo-de-cavalo ou uma trança, que deixa Flavia arrumada e confortável. Pode parecer que pessoas acamadas ficariam mais confortáveis com os cabelos curtinhos, mas a prática tem me mostrado que os cabelos um pouco mais compridos facilitam os cuidados, além de possibilitar variar o penteado.
Deixar Flavia com os cabelos compridos, - mas com um corte bem feito e bonito - é um compromisso que assumi com minha filha desde seus 8 anos de idade. Flavia gostava de seus cabelos longos e sempre que íamos ao salão de beleza, ela me pedia para não deixar o cabeleireiro cortar demais os seus cabelos. Até hoje eu e Ary respeitamos esse desejo de Flavia. E nesse grande e doloroso mistério que é o estado de coma, pode ser - é bem possível, que Flavia perceba que seus cabelos ainda são longos. E pode ser - é bem possível, que Flavia fique contente por isso.
Boa semana a todos e até o próximo post.

segunda-feira, 3 de agosto de 2009

ESPERAR: É O QUE NOS RESTA FAZER?!

Leila Jalul
Cronista acreana

As mães que o digam o quanto vale e pesa uma barriga até que chegue o grande dia da rebentação. No ontem, sem o auxílio luxuoso da tecnologia, além da barriga, o peso da espera para a utilização dos tons rosados e azuis dos enxovais. Seria Maria? Seria João? Tudo era mistério até que se ouvisse o brado forte do chorão ante o impacto com o mundo exterior. Uma palmada no bumbum e... buá!!!
Agora é diferente. Tudo se planeja e organiza. Até se escolhe os conselhos zodiacais para a marcação da data da concepção. Tudo vale a pena quando o assunto é vida. A maior espera é compensada, principalmente se não houver um atrapalho por caso fortuito ou força maior. Vida que chega, apaga o sacrifício da espera e os desconfortos do esperar.
Difícil é aguardar o que ficou de chegar e não se pode prever quando. Angustiante é ficar na dependência de terceiros para a solução de questões fundamentais para que se continue a vida ou se alivie as dores do viver. É de causar revolta quando se constata a lentidão da justiça, principalmente quando se trata de reconhecer direitos dos cidadãos comuns. Mais revoltante, ainda mais, é ver sentenças judiciais sendo descumpridas, numa afronta ao poder constituído. Vivemos num país que precisa de heróis, que não reconhece o direito adquirido e nem respeita os atos jurídicos perfeitos e as sentenças transitadas em julgado. Uma lástima!
Aposentados esperam a morte sem que recebam o que lhes foi usurpado quando ainda produtivos. Estão aí os benditos precatórios se arrastando por anos a perder de vista. Os noticiários mostram o descaso e a inépcia para com aqueles que ajudaram a construir o país. O Poder Judiciário cala-se. Recorrer a quem?

Não penso num texto com citações. Não. Dispo-me de qualquer titulação. Apenas reflito a barafunda do sistema brasileiro, com tantos recursos, com tantos renomados, com tantos luxuosos escritórios, com tanta roubalheira, onde se encostam os que não podem pagar os convites da festança? Pode um cristão de classe média baixa pagar pelos desagravos e agravos, principalmente quando da sentença pede-se a continuidade de apenas poder sobreviver?

Agora, quando escrevo, não penso apenas no caso de Flávia. Neste, já houve sentença condenatória, se não de todos, sacrificando, pelo menos o menor dos culpados: o condomínio, principalmente se o sistema instalado já veio no pacote da Jacuzzi. Salvou-se a mãe, pelos tribunais paulistas julgada co-responsável no acidente, como se tivesse praticado abandono de incapaz. A menina brincava numa piscina rasa, aparentemente inofensiva, na companhia do irmão e de mais dois adolescentes e, não fosse o ralo inapropriado, estaria ilesa. Eximiu-se a responsabilidade do maior dos responsáveis. E assim acontece em muitos outros episódios e em situações onde quem pode pagar mais, pode tudo. De pronto pode-se constatar: ou o esperneador contenta-se com a sentença, ou vai esperar por mais vinte anos para que se faça valer o que muitos pensam que deveria. Para que servem os agravos? Para que serve o dinheiro? Para que servem os escritórios de luxo dos renomados?

Num apanhado de fatos recentes, o moço negro, dentista, morto pela polícia paulista, sem medo de errar, não teve o mesmo tratamento dado às celebridades, tipo artistas em evidência na mídia ou tipo velhos conhecidos políticos com seus atos secretos. O tratamento não é o mesmo. Nem no tocante ao tempo do processo, muito menos, quando é o caso, no da indenização. Parece que todos se rendem ao mais forte, aos poderosos e sem se lixarem para o senso crítico dos que de perto acompanham os descalabros.

Agora, quando escrevo, não penso apenas no caso de Flavia, mas não há como não ver nesta menina um exemplo de como é falha a nossa justiça. O que desejamos, - porque é nosso direito - é que a justiça não faça diferença entre o negro e o branco, entre o pobre e o rico, entre o anônimo e a celebridade. Desejamos, porque é nosso direito, que a justiça seja célere e que se faça não em parte, como ocorreu no caso de Flavia, mas que a justiça se faça sempre por completo.
Leila, MUITO OBRIGADA por sua colaboração para o blog de Flavia. E como você bem diz:

“Angustiante é ficar na dependência de terceiros para a solução de questões fundamentais para que se continue a vida ou se alivie as dores do viver”.

Sim Leila, é angustiante.
Até o próximo post.

segunda-feira, 27 de julho de 2009

LUTAR POR NOSSOS DIREITOS: VAI SEMPRE VALER A PENA.

Esta imagem de Flavia foi trabalhado por Isabel Filipe do blog Art & Design de Portugal.
Quando mais de 11 anos atrás, em estado de choque e totalmente perdida diante do acidente repentino e grave que deixou minha filha Flavia em estado de coma irreversível, perambulei meses atrás de um advogado que aceitasse lutar na justiça para fazer valer os meus direitos e de minha filha, então com 10 anos de idade. Ouvi muitos “nãos” dos profissionais de Direito por mim contatados, mas em contrapartida, havia em mim, uma vontade inquebrantável de buscar por justiça e a convicção de que eu não poderia me deixar amedrontar pelas dificuldades que encontraria nessa busca.
A justiça pode demorar, falhar, ou mesmo - o que por vezes lamentavelmente ocorre - nunca chegar, mas ainda assim é importante que lutemos por nossos direitos. O exercício da cidadania é algo do qual não podemos e não devemos abrir mão, sob pena de nos tornarmos vítimas de nosso próprio conformismo com o desrespeito aos nossos direitos.
Como eu já disse em um post anterior, - sozinhos fica difícil, mas juntos somos poderosos -. Por isso contar com profissionais competentes e o apoio dos blogs faz toda a diferença em minha luta para ver respeitados os direitos de Flavia e os meus próprios.
Nota: Depois deste texto publicado, quero acrescentar aqui - no corpo do post - o comentário da leitora e amiga Elvira Carvalho, do blog Sexta-Feira de Portugal.
"O bom mesmo teria sido receber o que tinha direito sem esta luta de 11 anos. Vale sempre a pena lutar pelos nossos direitos, mas minha amiga, aquilo que é nosso direito devia ser recebido sem luta. Já temos que lutar tanto para pagar nossos deveres..."
Estou de pleno acordo com você Elvira, de pleno acordo. O que eu quis dizer amiga, é que se esse direito não nos vem pelo "bom senso" e principalmente pela obrigação de quem nos causou danos ou por falha de uma justiça lenta e burocrática, neste caso então só nos restará o caminho da luta. E neste caso - o que infelizmente é bastante comum - há que lutarmos por nossos direitos.Sempre.
Para defender eu e Flavia nos tribunais de São Paulo e Brasília, por mais de 10 anos venho contando com a sensibilidade e competência de meu advogado Dr.José Rubens Machado de Campos, a quem deixo aqui registrado meus agradecimentos extensivos à sua equipe, especialmente à Dra.Maria Cecilia Pizzo, Dr.Luiz Augusto Barreto, Dr.Ruy Carlos de Barros Monteiro e Dra.Flávia Bravin.
Ontem, hoje e amanhã, o apoio dos amigos que eu e Flavia tivemos o privilégio de conquistar por esse mundo afora, foi, é, - e continuará sendo fundamental - por isso sou agradecida também por toda a solidariedade que recebemos e sei que continuaremos a receber de pessoas do Brasil, Portugal, Moçambique, Espanha, Suécia, Argentina, Porto Rico, Colômbia... Obrigada a todos que acompanham o blog de Flavia, que nos divulgam, que torcem por nós, que levam a tantos lugares a nossa voz.
Até o próximo post.

quinta-feira, 23 de julho de 2009

AGF BRASIL SEGUROS ANTECIPA-SE AO DIÁRIO OFICIAL.

Como muitos devem saber, o pagamento de qualquer indenização determinada por sentença judicial, só se efetiva, ou seja, só ocorre de fato, quando a decisão judicial é publicada no Diário Oficial da União. E até agora a sentença do processo de Flavia, ocorrida em 03 de Março de 2009, não foi publicada oficialmente.

Pouco depois de ter sido condenada pelo Superior Tribunal de Justiça em Brasília, por danos morais, mais pagamento de correção monetária e juros de mora, por não me ter pago - na devida ocasião - o seguro existente no condomínio onde Flavia sofreu o acidente, mais de onze anos atrás, a AGF Brasil Seguros resolveu antecipar-se - o que é louvável - à publicação no Diário Oficial do que foi decidido em Brasília, quanto à sua condenação.
O requerimento, de teor acordado e assinado pelas partes, foi protocolado em Brasília, sob nr.00166.159 nesta terça-feira, dia 21.07.2009. A AGF Brasil Seguros – comprometeu-se a efetuar o pagamento que lhe foi imposto pelo Superior Tribunal de Justiça, no prazo máximo de 10 dias contados da data do protocolo do requerimento.

Até o próximo post.

NOTA: Menos de um dia após a publicação deste post, a AGF Brasil Seguros, efetuou o pagamento do valor devido.

segunda-feira, 20 de julho de 2009

FLAVIA, AVE SEM ASAS, MAS QUE VOA LONGE, LONGE...

O poema deste post, dirigido à Flavia, me foi oferecido por Ana Martins, autora do blog AVE SEM ASAS, de Portugal, um país onde eu e Flavia temos muitos amigos e para estarmos juntos, num instante, basta atravessar o mar.

Ana se colocou no meu lugar ao escrever este poema e me comoveu. Me comovem sempre as demonstraçoes de solidariedade e afeto para comigo e minha filha. Amor, amizade, carinho, afeto e solidariedade podem não eliminar a dor "tatuada na alma", mas certamente a torna mais suportável.
"AMO-TE TAL COMO ÉS!

Olhando o teu corpo imóvel e esbelto,
As mãos tremulas segurando nas tuas
Viajo no tempo em que tudo era certo
Esquecendo sem ver o mudar da Lua.

A vida para ti foi madrasta cruel,
Te levou sem pudor toda a alegria
E agora amor o teu viver reflecte
No escuro que preenche o teu dia-a-dia.

O Sol lá fora nasce e se põe,
Brilha sem dores aqui e ali,
Mas o sono que te invade não quer e não tem
A força da vida que vivia em ti.

Tão profundo é o sono que te envolveu,
Que desabrocham e murcham todas as açucenas,
Mas tu minha filha não desfazes o véu
Que forte te impede de ser quem eras!

Ana Martins
Escrito a 16 de Julho de 2009.

Dedico com muito carinho e admiração a
ODELE que ao longo de 11 anos tem cuidado e lutado pelos direitos da sua querida Filha FLÁVIA."

Ana, muito obrigada por seu bonito poema, para mim e Flavia - um presente precioso, inesquecível.

Boa semana a todos e até ao próximo post.

segunda-feira, 13 de julho de 2009

RALO DE PISCINA - MAIS UMA VÍTIMA, DESTA VEZ NA TAILÂNDIA.

Nota: SOLIDARIEDADE NÃO É CARIDADE, É UM ATO DE AMOR. Um texto meu no blog LUZ DE LUMA.

O garoto Nathan Clark Griffiths. (Foto: BBC)

"Menino morre sugado por bomba de piscina na Tailândia
Acidente ocorreu durante as férias do adolescente de 14 anos.
Da BBC
O garoto Nathan Clark Griffiths. (Foto: BBC)Um adolescente de 14 anos da Ilha de Man, no Mar da Irlanda, morreu quando estava em férias na Tailândia, depois de ser sugado pela bomba de uma piscina do parque aquático que visitava.
Acredita-se que Nathan Clark Griffiths tenha tirado uma grade de proteção do fundo da piscina para procurar seus óculos de natação.
Nathan morava na Tailândia com o pai, o irmão, a madrasta tailandesa e o filho dela e eles estavam de férias no balneário de Pattaya, a leste da capital Bangcoc.
Segundo a família, logo que Nathan foi sugado pela bomba da piscina, o irmão Rhys foi até um salva-vidas, mas ele não conseguiu entender o que rapaz estava dizendo. O filho da madastra, Kevin, traduziu o pedido de ajuda, mas o salva-vidas teria dito que eles estavam mentindo porque a grade estava travada e era impossível que Nathan tivesse sido sugado.
Só quando o pai do rapaz, Jimmy, apareceu, a família teria sido levada a sério, mas muito tempo já tinha se passado. Quando eles abriram a sala de bombeamento, 20 minutos depois do incidente, o corpo do adolescente veio à tona.
A família criticou os salva-vidas do parque aquático por não terem agido mais rapidamente. O parque teria oferecido uma indenização aos parentes do rapaz morto.
A polícia tailandesa investiga agora como Nathan conseguiu abrir a grade, que deveria estar travada.
Nathan e o irmão voltariam para a Ilha de Man na próxima quarta-feira para passar o verão com a mãe, Marion Griffiths, e a irmã Naomi, de 10 anos. "
CLICK NO LINK PARA VER UM PEQUENO VÍDEO SOBRE ESTE ACIDENTE na Tailândia.
Até quando pessoas vão continuar morrendo, ou, a exemplo de minha filha Flavia, ficar com sequelas irreversíveis e em coma, por acidentes causados por RALOS DE PISCINAS? !
Não deixe de ver o vídeo do post anterior, mostrando como ocorre a sucção de cabelos - e de qualquer parte do corpo - por RALOS DE PISCINAS.

quarta-feira, 8 de julho de 2009

PROGRAMA DIA A DIA DA BAND ALERTA PARA O PERIGO DOS RALOS DE PISCINAS.

No final deste post o vídeo da reportagem apresentada na BAND, programa DIA A DIA, nesta terça-feira, dia 07.07.2009, mostrando o caso de Flavia e outros acidentes causados por ralos de piscinas.
Embora não tenha sido mencionado na matéria, a pessoa que faz a simulação da sucção de cabelos por um ralo de piscina, (poderia ser uma criança de cabelos compridos mergulhando e os cabelos se aproximando do ralo...) é o Sr.Augusto Araujo, Presidente da ANAPP e Diretor da empresa Sodramar, fabricante de sistema de sucção de piscinas. A participaçao de Augusto Araújo enriqueceu muito a reportagem, pela forma didática e esclarecedora com que ele abordou o assunto. Meus cumprimentos também ao Sr.Paulo César, dono de uma academia que oferece aulas de natação, por "fazer questão de não colaborar com a falta de responsabilidade".
E duas correções: O reporter diz:..."as fábricas já inventaram, esta tampa chamada anti-hair, que impede que os cabelos fiquem presos...."
O repórter se equivocou: Aqui no Brasil, infelizmente, o único fabricante de sistemas de sucção de piscinas que importa a tampa anti hair é a empresa Sodramar. E esta tampa não é compatível com todos os modelos de ralos: Quadrados, redondos, retangulares. Por isso a Sodramar está importando algumas tampas americanas para adaptar nos drenos nacionais. Disse-me ainda o Sr. Augusto que o Depto. de Engenharia da Sodramar está desenvolvendo uma ferramenta nova que será compatível com quase todos os drenos existentes no Brasil. Tenho certeza de que tanto a ANAPP quanto a empresa Sodramar estão dispostas a orientar, informar e dividir seus conhecimentos sobre segurança nas piscinas, com outras empresas do setor, não importando se são concorrentes ou não. O que importa é evitar acidentes e tragédias como as que temos visto acontecer, com Flavia, Rafael, Gabriel, Jaqueline....
O reporter diz:
..."a mãe de Flavia "processa" o condomínio e o fabricante do ralo..."
O processo foi encerrado em março de 2009. Processei. Por onze anos processei. Por onze anos esperei por justiça para Flavia. Mas o fabricante do ralo que sugou os cabelos de Flavia não foi co-responsabilizado pelo acidente. E a justiça para Flavia não se fez por completo.
Assistam o vídeo e saibam que evitar este tipo de acidente não é difícil, mas exige responsabilidade e respeito com a vida humana.

Até o próximo post.

segunda-feira, 6 de julho de 2009

O CASO DE FLAVIA, AMANHÃ, NA TV BANDEIRANTES.

Na semana passada gravei entrevista para o programa DIA A DIA da TV Bandeirantes numa reportagem sobre acidentes com ralos de piscinas. A reportagem entrevistou também o Sr.Augusto Araujo, Presidente da ANAPP e Diretor da empresa Sodramar, fabricante de sistemas de sucção de piscinas.
Fui informada pela BAND de que a matéria será mostrada nesta terça-feira dia 07. O programa DIA a DIA, vai ao ar a partir das 8 h.da manhã.
À TV Bandeirantes e à produção do programa DIA A DIA, o meu muito obrigada por esta reportagem sobre acidentes com ralos de piscinas, por significar uma prestação de serviço.

Uma boa semana a todos e até o próximo post.

segunda-feira, 29 de junho de 2009

HIGIENE BUCAL EM PESSOAS QUE ESTÃO EM COMA.

Uma boa higiene bucal é da maior importância em pessoas que estão em coma. Na primeira foto, está o material que uso (não necessariamente ao mesmo tempo) para escovar e higienizar os dentes e a boca de Flavia.
1. Escova dental comum (a técnica de enfermagem prefere)
2. Escova dental especial (da marca Científica – Eu prefiro.)
3. Escova dental elétrica (para usar em dias alternados)
4. Pasta dental (usada em quantidade mínima)
5. Fio Dental (usado em dias alternados)
6. Escova Bitufo. (excelente para limpar os dentes um a um)
7. Cepacol sabor Tutti Frutti (ou qualquer outro enxaguatório bucal)
8. Espátula envolta em gaze (para dar o acabamento final)
Parece exagero? Mas como eu já disse, não uso tudo isto ao mesmo tempo, mas tenho sempre este material ao lado da cama hospitalar de Flavia e vou alternando seu uso. A escovação de seus dentes é feito duas vezes ao dia. Pela manhã e à noite. É preciso higienizar dentes e boca, com todo o cuidado e atenção. (e com delicadeza também) Aos 21 anos – 11 dos quais em coma vigil, Flavia nunca teve uma cárie sequer. Isto é mérito dos cuidados que ela recebe, mérito este que divido com Masé, a competente técnica de enfermagem que há quase seis anos me ajuda nos cuidados com Flavia. Além disso, a cada seis meses, Flavia recebe aqui em casa a visita da dentista.
Escovar os dentes de Flavia não é tarefa fácil. Ela, por causa sua condição, não responde aos comandos verbais, portanto, não adianta dizer para ela ficar com a boca aberta. Não se pode colocar água em sua boca porque como já disse, uma das seqüelas do acidente foi uma severa disfagia, que é a incapacidade de engolir qualquer coisa, nem mesmo água Flavia consegue engolir. Por isso, a escovação dos dentes e a higiene da boca de Flavia são feitas com a escova umedecida e um mínimo de pasta dental. Depois, “enxágua-se” com uma gaze umedecida e depois em Cepacol diluído em água.
A higiene bucal de uma pessoa em coma deve ser levada muito a sério. Imagine se uma pessoa nessas condições adquirir cáries. O tratamento terá que ser feito em hospital e com sedação. Com cuidados diários e atenção constante, é possível evitar as cáries e deixar a pessoa com a boca e os dentes bem higienizados.

Sem outra intenção que não seja passar informações que possam ser úteis a outras pessoas, coloco aqui a foto da escova científica da qual falo. É bem interessante esta escova pois as cerdas das escovas comuns são substituidas por hastilhas que não têm emendas e são bem macias. Para saber mais sobre esta escova clic no link ESCOVA CIENTÍFICA.
Boa semana a todos e até o próximo post.

segunda-feira, 22 de junho de 2009

A JUSTIÇA TARDA MAS NÃO FALHA?! INFELIZMENTE, TARDA E FALHA.

Para quem ainda não leu, transcrevo abaixo trechos do que se publicou no CONSULTOR JURÍDICO sobre o julgamento do Processo de Flavia, dia 03 de Março de 2009, em Brasília, 11 anos depois do acidente que deixou minha filha em coma irreversível.
“O trágico caso da garota tornou a questão ampla do ponto de vista jurídico em razão da sucessão de erros – reconhecidos e punidos pelo STJ – cometidos pelos envolvidos. Inclusive pela primeira e segunda instâncias da Justiça paulista, que decidiram que a mãe havia colaborado para o acidente. No julgamento da semana passada, esse foi um dos pontos que mais provocou reações de indignação nos ministros da 4ª Turma.
“.... por unanimidade os ministros decidiram reformar a decisão do TJ paulista no ponto em que considerou que a mãe, por permitir que a filha fosse nadar apenas com outros menores, teve parte da culpa pelo acidente. O ministro Noronha e o desembargador Mathias teceram duras criticas à decisão neste ponto. “Falar em culpa concorrente neste caso é uma falácia”, disse Mathias. “Essa mãe foi muito injustiçada. Ela nunca poderia responder por deixar sua filha, que sabia nadar bem, como está provado, ir nadar em seu condomínio. Ora, quem de nós não deixa os filhos nadarem sozinhos”, arrematou Noronha.
Culpa de fábrica.
O ponto controverso do recurso ficou por conta da responsabilidade da Jacuzzi, a fabricante da bomba de sucção, pelo acidente. Para a maioria dos ministros, como não foi a Jacuzzi quem instalou a bomba de sucção na piscina e o manual mostrava que o equipamento era muito mais potente do que o necessário para a piscina nas dimensões da do condomínio processado, ela não tem qualquer culpa pelo acidente.
Por quatro votos a um, a 4ª Turma decidiu que a empresa não tem de indenizar. “Os manuais técnicos da fabricante têm informações suficientes sobre a potência adequada para o tamanho das piscinas e a empresa não foi responsável pela instalação do equipamento”, afirmou o relator, Carlos Mathias. Os ministros Aldir Passarinho, Fernando Gonçalves e João Otávio de Noronha acompanharam o relator.
Vencido, o ministro Luis Felipe Salomão entendeu que a Jacuzzi deveria ser condenada porque os manuais não alertam sobre o risco de acidentes como o que aconteceu com Flávia. Somente relatam a potência adequada para cada tipo e tamanho de piscina. “Ao não alertar expressamente sobre o perigo de usar um equipamento inadequado, a fabricante se tornou responsável pelo acidente”, disse Salomão.”
Pois é. Lutei 11 anos na justiça brasileira para ver condenados, além do Condomínio Jardim da Juriti, a Jacuzzi do Brasil pelo acidente ocorrido com Flavia, porque no meu entender, é bem o que o Ministro Luis Felipe Salomão também entendeu: A Jacuzzi não orientou em seus manuais sobre o risco do tipo de acidente que aconteceu com Flavia e que como venho documentando aqui, continuaram e lamentavelmente continuam acontecendo com outras pessoas.
Por quatro votos a um a Jacuzzi do Brasil saiu ilibada de co-responsabilidade no acidente com Flavia, causado por seu equipamento. Neste caso, a justiça não só tardou como também falhou. Falhou comigo, falhou com Flavia e com todos que esperavam que a impunidade não fosse uma força indestrutível neste país.
Mas ainda acredito - ACREDITO - que exercendo com firmeza e determinação nossa cidadania, podemos mudar esta realidade. Porque é nosso direito uma JUSTIÇA CÉLERE E JUSTA.
Quanto à Jacuzzi do Brasil, é como diz Betty:
"Odele, a JACUZZI não ter sido condenada é algo que nunca vou entender, quanto mais aceitar. Uma empresa que não assume a responsabilidade num caso como o da Flavia, não merece ser líder de mercado...”

Até o próximo post.

segunda-feira, 15 de junho de 2009

RALOS DE PISCINAS!. UM PERIGO POUCO DIVULGADO.

Transcrevo na íntegra, este texto que descobri no blog SETE x SETE
"Quarta-feira, 8 de Abril de 2009
Ralos de piscinas! Um perigo não informado...
Eu disse e vou repetir aqui:
Entre umas e outras, acabei lendo todo o
blog da Flavia, escrito por sua mãe Odele: aos 10 anos de idade, Flavia foi nadar na piscina do prédio onde morava em Moema e teve os cabelos sugados pelo ralo da piscina. Ficou alguns minutos submersa o que lhe causou danos irreversíveis: ela está em coma vigil desde então. A mãe, lutando na justiça para que os responsáveis paguem ao menos pelo tratamento mensal da garota. E também, para alertar a todos sobre os perigos que existem.
Caso ela consiga ao menos que as empresas (no caso, Jacuzzi) comece a trabalhar corretamente, com manuais que alertem aos perigos... já será uma grande vitória. Ela conseguiu uma vitória mes passado, em Brasília. Está tudo lá no blog, vale a pena conferir.
Mas o que mais me assusta é NÃO encontrar notícias sobre o assunto. Se você dá uma "googada", só encontra o blog dela e outros que fazem referencia ao mesmo...
Nada de noticias, um assombro!
Mesmo por que, tivemos um caso em Jan/2009 no interior de SP, tivemos dois casos envolvendo o Motel Astúrias (que só achei a notícia depois de procurar muito), também em SP, fora outros tantos que acabei sabendo por meio do blog da Flavia.
Um verdadeiro espanto.
Há alguns videos no youtube, mas é muito pouco para um problema tão delicado e tão próximo: quem não frequenta clube, ou mesmo, tem piscina no condominio, ou então, em viagens, fica em hotéis ou pousadas que têm piscinas?
Você pode alegar que quase não frequenta nenhuma piscina, mas atire a primeira pedra quem entra em qualquer piscina mas antes pergunta se o ralo está com a tampa, ou se a máquina sugadora é adequada ao tamanho da piscina...
É assustador...Portanto, divulguem o blog da Flavia, vivendo em coma.
Para que sirva de alerta a todos.
Marcia “

É verdade, Marcia, o que a mídia divulga sobre o perigo existente nos ralos de piscinas, é mesmo, como diz você, “muito pouco para um problema tão delicado e tão próximo”
Na verdade, a mídia que mais tem divulgado o caso de Flavia e por conseguinte, alertado em maior escala sobre o perigo desses ralos sugadores - e assassinos - tem sido mesmo os blogs, tanto do Brasil, quanto do exterior. Meu MUITO OBRIGADA a você Marcia, - a exemplo de outros blogs - por usar seu espaço virtual para colaborar na divulgação deste importante alerta. O PERIGO DOS RALOS DE PISCINAS! Vou continuar batendo nesta tecla, com a esperança de que a mídia convencional passe a cumprir o seu papel social de informar sobre este perigo tão próximo de todos nós.
Até o próximo post.

sexta-feira, 5 de junho de 2009

ESTADO DE COMA: POR QUE NEM TODOS RETORNAM...?

Flor feita para Flavia, por Alice Matos, do blog Pensamentos (Portugal)
Algumas pessoas me escrevem dando sugestões de como agir com Flavia para que ela saia do estado de coma em que entrou há mais de 11 anos. Ah! se soubessem como tenho tentado esse retorno de minha filha. Ah! se soubessem o quanto lamento que amor de mãe não tenha tanto poder quanto eu pensava ter.
Leio tudo que posso sobre o estado de coma, sobre pessoas que estão em coma e sobre aquelas que felizmente recobraram a consciência. Não são muitas. O recobrar da consciência de uma pessoa que entrou em coma é algo complexo e infelizmente não depende apenas dos cuidados que mantemos com a pessoa, nem dos estímulos que lhes proporcionamos, embora esses estímulos sejam benéficos e os cuidados, obviamente, obrigatórios. Mas esse retorno do coma é algo misterioso, e infelizmente não acontece com frequência, com quem já está assim há muitos anos.
No último dia 31 de Maio saiu uma matéria no jornal Folha de São Paulo, sobre uma moça que sofreu um acidente de carro e que segundo a matéria, devido aos estímulos feitos por sua mãe ela retornou do coma. Acredito que algo além dos estímulos da mãe tenha colaborado para que essa moça saísse de seu estado de coma.
Sobre o estado de coma aprendi que nenhuma lesão cerebral é igual a outra o que faz com que cada pessoa tenha seqüelas diferentes e consequentemente sua eventual recuperação também. No caso de Flavia, faço massagens diariamente em seu corpo, braços, mãos e pés. Coloco músicas para ela ouvir, às vezes no pequeno aparelho de som de seu quarto, ou gravo músicas especialmente para ela e coloco em seu Ipod, bem baixinho em seu ouvido. Este procedimento de colocar música ou mensagens gravadas deve ser feito com critério para não cansar a pessoa. Há momentos que ela precisa ficar quietinha mesmo. O bom senso deve sempre prevalecer.
Além disso, em sua cadeira de rodas especial, levo Flavia para passear na área de lazer do prédio onde hoje moramos e onde encontramos alguns vizinhos e crianças que por vezes se aproximam. Por exemplo, Laura de 6 anos, é uma menina adorável, que tem sempre uma palavra de carinho para Flavia. E tem também a Mariana de 7 anos, que ao passar sempre diz "Oi Flavia!"
Há relatos de pessoas que estiveram em coma e ao recobrarem a consciência, disseram ter ouvido e entendido tudo que falavam à sua volta. E o filme FALE COM ELA de Almodóvar mostra uma mocinha que retornou do coma porque seu enfermeiro conversava muito com ela.
Eu também converso muito com Flavia, canto para ela, leio livros e mensagens que nos enviam. Falo de nossos novos amigos virtuais, conto histórias de sua infância, mencionando o nome de suas amiguinhas, e pessoas que ela amava. Nos primeiros anos, após o acidente que a deixou em coma, eu tinha uma esperança quase insana de que ao ouvir um desses nomes queridos, Flavia acordasse. Hoje, continuo lhe proporcionando estímulos de toques e auditivos, mas com o objetivo de tirar Flavia do silêncio e da solidão desse longo e misterioso estado de coma em que minha filha entrou, mistério esse que nem o meu amor de mãe conseguiu até hoje desvendar.
Até o próximo post.

domingo, 24 de maio de 2009

REVISTA DA FOLHA - "ESPERANÇA NO RALO".

...”Dispositivo de R$ 200 pode evitar tragédia.”

A Revista da Folha, do jornal A Folha de São Paulo deste domingo, traz uma matéria sobre acidentes com ralos de piscinas e mostra o caso de Flavia, além de outros acidentes ocorridos aqui no Brasil pelo mesmo motivo: A forte sucção do ralo da piscina.
Atendendo à solicitações, transcrevo aqui na íntegra o texto da Revista da Folha.
por Cláudia Garcia
Odele cuida de Flávia, em coma vegetativo, no quarto adaptado
(Foto: Leonardo Wen)
"Três meses depois de Flávia Souza completar 21 anos, sendo os últimos 11 imóvel em uma cama, a família da jovem venceu uma primeira batalha: contra a impunidade. Em março, o Superior Tribunal de Justiça responsabilizou o condomínio Jardim da Juriti, em Moema, pelo acidente no qual a então adolescente (*) teve os cabelos sugados pelo ralo da piscina, enquanto brincava com o irmão.(*) Aqui há um equivoco na matéria. Flavia não era adolescente à época do acidente, era uma criança de 10 anos.
A AGF Brasil Seguros também foi condenada, em última instância, pelo atraso de um ano e 11 meses no pagamento da indenização. “Por causa do recebimento atrasado do seguro, eu tive de fazer bingos e rifas para pagar as contas da minha filha”, relata Odele Souza, mãe de Flávia. A jovem completou a maioridade sem dar sinais animadores de que vai sair do estado vegetativo.
Flávia vive em um quarto adaptado à sua condição, com uma estrutura própria de enfermagem e fisioterapia, sob o olhar atento da mãe. “É dessa forma que as deformidades causadas pelo longo tempo de imobilidade vão sendo contidas”, explica a mãe. A fisioterapia evita maiores perdas de massa muscular e atrofiamento de membros. “Ela consegue escutar e reage à dor, ao barulho e ao toque.”
Odele relata as angústias cotidianas do drama de mais de uma década no blog (http://flaviavivendoemcoma.blogspot.com/). Como rotina, Flávia tem o nariz aspirado entre oito e dez vezes ao dia para se livrar das secreções que se formam nos pulmões, causadas pelo longo tempo acamada. Outra sequela é a dificuldade na deglutição. Flávia é alimentada por uma sonda que conduz o alimento diretamente ao estômago. Ela recebe cuidados de higiene corporal e oral especiais.
Precauções. Esse tipo de tragédia pode ser evitada. Existem no mercado equipamentos capazes de impedir o entrelaçamento dos cabelos no ralo das piscinas. No caso do acidente com Flávia, a potência do motor era inadequada ao tamanho da piscina. A perícia apontou que a bomba tinha uma velocidade 78% superior à recomendada.
O acidente começou a se desenhar no condomínio onde a família morava na época, quando o síndico -após uma reunião com moradores que se queixaram da temperatura da água- pediu ao zelador para trocar o equipamento da piscina.
Para Odele, “o síndico foi negligente”, pois era uma “tarefa para um técnico ou um engenheiro”. O valor que o condomínio terá de pagar à família da vítima ainda não foi estimado.
Procurados pela Revista, representantes do condomínio não quiseram se manifestar. A AGF Brasil Seguros, condenada por danos morais causados à família de Flávia, informou que está “analisando o caso para tomar as devidas providências”.
A condenação é um alerta para moradores e condomínios. “A conscientização dos pais, dos zeladores e dos próprios porteiros sobre os perigos nas piscinas é uma das precauções tomadas por nós”, afirma Márcio Rachkorsky, presidente da Associação dos Síndicos de São Paulo.
Na hora de fiscalizar, é importante saber que piscinas devem ser construídas seguindo padrões da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT). Valter Saes, presidente da Saes, empresa prestadora de serviços técnicos, diz, no entanto, que o morador não tem como saber se a piscina do seu condomínio atende ou não à legislação.
Por isso, a manutenção deve ser realizada regularmente por técnicos especializados. O que acontece, muitas vezes, segundo Valter, é o síndico encarregar o zelador do trabalho. “Os moradores devem exigir o laudo anual da fiscalização.”
O caso de Flávia não é isolado. Em dezembro passado, Gabriel Martins, 9, morreu em Franca (401 km de São Paulo). Estava na piscina de um clube quando foi sugado pelo braço, pois o ralo de proteção estava sem tampa.
Em janeiro, Jaqueline dos Santos, 14, morreu afogada na piscina de um condomínio de luxo em Barra do Jacuípe, perto de Salvador. Seus cabelos ficaram presos na grade protetora do ralo. Chegou a ser socorrida, mas morreu no hospital. Em coma, Flávia luta cotidianamente contra os males causados pela negligência.
Piscina segura
O tipo de acidente do qual Flávia Souza foi vítima pode acontecer de duas maneiras: se o dreno protetor da piscina estiver sem tampa ou se a bomba que regula o motor for superdimensionada.
A empresa Sodramar, fabricante de material hidráulico, lançou, no ano passado, uma tampa “anti-hair” (R$ 200). Segundo o presidente da companhia, Augusto Araújo, foram vendidas mais de mil unidades no Brasil. “Esse material é obrigatório por lei lá fora, mas, aqui, só agora é que algumas pessoas perceberam a necessidade, e a procura vem aumentando gradualmente.”
Devido ao aumento no número de acidentes por sucção, os EUA aprovaram, em dezembro de 2008, uma legislação que obriga que as piscinas públicas e particulares sejam construídas com válvulas antivácuo nos ralos.
O dispositivo libera a pressão da bomba do motor em caso de sucção, enquanto o dreno “anti-hair” funciona como uma capa de proteção do ralo, evitando que os cabelos sejam sugados."
Fonte: Revista da Folha
R$ 200,00 (Duzentos reais). É o que custa para deixar a piscina mais segura. Muito pouco, convenhamos, para que tragédias como a que aconteceu com minha filha Flavia, continuem a acontecer. Venho repetindo isto aqui no blog de Flavia: É fundamental que síndicos e moradores de condomínios, assim como administradores de qualquer local onde existam piscinas de uso público ou coletivo, providenciem fiscalização e laudo periódicos sobre o estado de segurança de suas piscinas. Como dito no texto acima, essa fiscalização e laudo, obviamente, devem ser feitos por pessoal técnico especializado.
Até o próximo post.

quarta-feira, 20 de maio de 2009

SEGURANÇA NAS PISCINAS: A NECESSIDADE DE UMA LEI FEDERAL.

Aqui no Brasil, tenho visto, esporadicamente, algumas notícias de projetos de leis sobre segurança nas piscinas. No entanto, os poucos projetos de leis que existem por aqui, são direcionados para os estados, o que não resolve absolutamente a questão geral da falta de segurança nas piscinas, pois esta é de fato, uma questão de saúde pública nacional, portanto, faz-se necessário e urgente, uma lei federal que regulamente a venda, a instalação, a manutenção e o uso de piscinas de uso público, coletivo e mesmo aquelas instaladas em residências particulares. E isto não é excessivo, pelo contrário, é o mínimo que deve ser feito – e com urgência - para evitar novos acidentes e mortes causados pela sucção dos ralos de piscinas.
Nos Estados Unidos, esta lei existe. Foi criada após o acidente causado por sucção de um ralo de piscina que levou à morte em junho de 2002, a criança Virginia Graeme Baker, neta do ex-secretário de estado americano James Baker. A lei americana foi criada em 2007. Lá, o assunto da segurança nas piscinas é levado muito a sério, enquanto que aqui no Brasil, apesar de todos os acidentes graves e as mortes, notadamente ocorridas com crianças, os poucos projetos de lei existentes, até agora não vingaram.
A ausência de uma lei voltada para a segurança nas piscinas do Brasil é por demais grave e teria necessidade de um olhar atencioso por parte das autoridades deste país. E enquanto essa atitude não é tomada, a mídia, principalmente a TV que tem grande poder de penetração nos lares brasileiros, poderia fazer campanhas alertando as pessoas para este perigo real e concreto: A sucção causada pelos ralos de piscinas.
Você poder ler (em inglês) sobre como ocorreu o acidente com a criança americana, acessando este link: Virginia Graeme Baker’s Story
Veja também este vídeo: Is your local pool safe?
Até o próximo post.

segunda-feira, 18 de maio de 2009

BLOGAGEM COLETIVA - EM DEFESA DA INFÂNCIA.

18 de maio – Dia Nacional de Combate ao Abuso e à Exploração Sexual Contra Crianças e Adolescentes.
O Dia Nacional de Combate ao Abuso e à Exploração Sexual Contra Crianças e Adolescentes foi criado pela lei nº 9.970, de 17 de maio de 2000, em razão de um crime ocorrido na cidade de Vitória/ES, em 1973. Neste ano, uma menina de oito anos foi espancada, violentada e assassinada. Os culpados pelo crime não foram punidos.
A violência sexual contra crianças e adolescentes é um fenômeno que ocorre em todas as classes sociais e em escala mundial. Dados do Fundo das Nações Unidas para a Infância apontam que cerca de um milhão de crianças são vítimas de violência sexual no mundo a cada ano. Um exemplo ocorrido no Maranhão é o caso dos meninos emasculados, em que 42 crianças foram violentadas e depois mortas. O fato mobilizou a comunidade internacional.
Disque Denúncia 100. Para incentivar as denúncias dos casos de violência sexual, foi criado o Disque Denúncia Nacional de Abuso e Exploração Sexual Contra Crianças e Adolescentes. Discando o número 100, de abrangência nacional e gratuito, podem ser feitas denúncias de violência sexual praticadas contra crianças e adolescentes, que são encaminhas às autoridades competentes, preservando o anonimato do autor da ligação.
Leia mais:
Este post do blog Hippos